Resenha Os Espólios de Poynton - Henry James

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Título: Os Espólios de Poynton | Autor: Henry James | Número de páginas: 222 | Ano: 2008 | Compre: Livraria Cultura | Leia um trecho |
Em Os Espólios de Poynton, escrito no ano de 1889, o autor Henry James faz uma crítica a sociedade inglesa da sua época, onde era o costume que somente o filho ficasse com a herança da família, enquanto a mãe não tinha direito a nada, dependo exclusivamente da generosidade do herdeiro.

Na história, Mrs. Gereth se encontra nessa delicada situação. O marido faleceu e ela tem muito sentimento por Poynton, a propriedade que ela e o esposo decoraram com peças de arte, em sua opinião, “de muito bom gosto”. A única saída que a senhora vê é casar seu filho com uma moça que ela aprovasse e se identificasse, porém a atual namorada de Owen, Mona, não se encaixa em nenhum aspecto do que ela gostaria em sua futura nora. Já a jovem Fleda Vetch, por outro lado, se mostra uma opção muito melhor, ainda mais porque ela e Mrs. Gereth se dão bem logo que se conhecem.


Primeiras frases:
"Mrs. Gereth havia dito que iria à igreja com os outros, mas de repente teve a impressão de que não conseguiria esperar nem mesmo até a hora do serviço religioso para aliviar a tensão: o café-da-manhã em Waterbath era uma refeição pontual e tinha ainda uma hora à sua disposição. Sabendo que a igreja ficava perto, preparou-se em seu quarto para um pequeno passeio rural e, descendo novamente as escadas, atravessando corredores e observando as imbecilidades da decoração, a indigência estética do amplo casarão, sentiu voltar a maré de irritação da noite anterior, a repetição de todo o sofrimento que lhe causavam a fealdade e a estupidez. Por que consentia em tais relações? Por que se expunha tão imprudentemente"

Nos livros de época não há elementos mais instigantes do tipo sobrenatural ou cenas de ação, por exemplo, assim, a obra toda se sustenta perfeitamente nas descrições do autor e, principalmente, nos diálogos, que são bastante inteligentes e bem colocados. Particularmente, adoro diálogos de época, pois é muito difícil que algo seja dito literalmente, e o conteúdo nas entrelinhas nos faz pensar para entender as reais intenções por traz das falas dos personagens. Destaco, principalmente, as falas de Mrs. Gereth, perspicazes e divertidas.

A protagonista, Fleda, é uma personagem interessante e, igualmente, complexa, conseguindo gerar até sentimentos contraditórios no leitor em seus momentos de dúvida e as várias contradições da moça. Você começa a se perguntar “por que ela está fazendo isso se quer aquilo?”. Na introdução do livro, Onédia de Queiroz, tradutora do livro, chega até a propor a questão se Fleda tinha medo amor, mas, mesmo assim, ela é uma personagem por quem a gente fica torcendo até o final. Para aqueles leitores que, assim como eu, correm para ler a introdução, cuidado! Lá há spoilers sobre o enredo, então é melhor deixar para ler após terminar o livro.

Cheguei ao autor que possui diversas críticas positivas quando pesquisava sobre livros de época – isso tudo depois de me apaixonar pela narrativa e as histórias de Jane Austen em Orgulho e Preconceito e A Abadia de Northanger (ainda estou com dó de ler os outros e acabar sem mais nada dela para ler, pode isso?!).

Comecei a leitura dele com O Retrato de Uma Senhora que é muito mais extenso e detalhado do que Os Espólios de Poynton – por isso ainda não terminei a leitura do primeiro. A leitura de ambos é igualmente desafiadora, mas optei por ler OEP primeiro, e gostei bastante. Há apenas um detalhe, a meu ver, que deixaria a trama perfeita, mas.... mesmo não acontecendo o que eu gostaria, a história continua sendo ótima e pretendo, em breve, conhecer mais da obra do autor.


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2 comentários

  1. Oi, Carol.
    Gostei muito da sua resenha, mas acho que esse livro não é para mim.
    Essas histórias de época acabam me irritando, então prefiro nem arriscar! rs...
    beijos
    Camis

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    Respostas
    1. Oi Camis! Realmente precisa estar inspirado e gostar do tipo de história, ainda mais porque é um clássico. kkk Beijos

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