27 de janeiro de 2014

Resenha A Invenção das Asas - Sue Monk Kidd

Título: A Invenção das Asas | Autor: Sue Monk Kidd | Número de páginas: 328 | Ano: 2014 | Compre: Livraria Cultura | Leia um trecho
Em seu aniversário de 11 anos, Sarah Grinké recebe de presente da mãe uma dama de companhia, a pequena escrava chamada Hetty, de apenas 10 anos, que vem até a sala da família com uma fita amarrada em seu pescoço e outra amarrada em sua cintura, como se estivesse embrulhada para presente. Essa foi a cenas que mais me arrepiou durante o livro, como um grande choque de realidade logo no início da história. Para minha surpresa e admiração, a pequena Sarah não pretendia aceitar o presente da mãe, pois não poderia possuir outra pessoa. Vocês devem imaginar como isso choca os convidados e, mais tarde, a mãe de Sarah a faz escrever várias cartas com um pedido de desculpas àqueles que presenciaram a cena.

Primeiras frases
Houve um tempo na África em que as pessoas podiam voar. A mamã me contou isso uma noite, quando eu tinha dez anos de idade. Ela disse: "Encrenca, sua vovozinha viu com os próprios olhos. Disse que eles voavam sobre as árvores e montanhas. Disse que voavam que nem pássaros negros. Quando viemos para cá, a magia ficou para trás." Minha mamã era esperta. Não aprendeu a ler nem a escrever como eu. Tudo que ela sabia e aprendeu vinha do pouco de misericórdia que ela encontrou na vida. Olhou nos meus olhos cheios de tristeza e dúvida e disse: "Você não acredita em emim? De onde você acha que vieram esses ossos nas suas costas menina? Aqueles ossos pareciam brotar das minhas costas. Ela deu um tapinha neles e disse: "Isso é o que sobrou de suas asas. Nada a num ser esses ossos aqui, mas um dia você vai ter asa de novo."

A Invenção das Asas é um livro recheado de personagens femininas fortes! Começando por Sarah Grinké, uma revolucionária que, desde criança, questionava o “estilo de vida” da família aristocrata, queria libertar seus escravos e desejava secretamente ser uma advogada num mundo em que sua função se resumia a apenas ser esposa e ficar dentro de casa. Charlotte, uma mulher muito forte que teve uma vida dura e sofrida com escrava, mas que nunca se esqueceu de sua história ou perdeu a esperança de ser livre. Encrenca, outra mulher forte que viu e viveu várias crueldades sem deixar de ser uma amiga leal. Angelina Grinké, Nina, a irmã mais nova de Sarah, é igualmente engajada nas lutas contra a escravidão, se recusando a aceitar a realidade brutal e insensível de sua época.

O livro tem uma história daquelas que te deixa pensando por horas. Como poderia existir pessoas que se enganavam tanto, diminuindo um povo somente por sua cor, só para manter seu “estilo de vida” agradável? E os castigos físicos aplicados como punição a qualquer deslize de um escravo? Apesar disso, é bom saber que, em meio a essa sociedade escravista, existiam também pessoas incomodadas, que viam como tudo aquilo era errado e precisava acabar o quanto antes, assim como as irmãs, Sarah e Nina Grinké.

Muito dos fatos que ocorrem durante A Invenção das Asas são verídicos. Sim, e a vasta pesquisa histórica e biográfica feita pela autora ajudou-a na hora de escrever o romance. As duas irmãs existiram e foram extremamente importantes para as lutas abolicionista e feminista que ocorreram na época, assim como outros nomes que aparecem como personagens. Encrenca/Hetty também existiu, mas, diferentemente do livro, não viveu muitos anos.

O que deixa tudo ainda mais vivo e emocionante é que o livro é narrado em primeira pessoa, intercalando capítulos na visão de Sarah e outros na de Encrenca. Além disso, há alguns saltos de anos durante a história, para que a autora pudesse elaborar melhor os acontecimentos mais significativos da vida de ambas personagens desde a infância das duas, nos primeiros anos de 1800 até junho de 1838, quando se encerra o romance. Mas, se você, assim como eu, estiver curioso para saber o que aconteceu depois, é só ler as notas da autora em que ela, além de explicar muitos fatos que realmente aconteceram e outros que foram inventados por ela, conta o que aconteceu com Sarah e Nina até o final da vida das duas, baseando-se na biografia das irmãs.

O primeiro livro de Sue Monk Kidd. A vida secreta das abelhas, ficou por mais de um ano e meio na lista de mais vendidos do New York Times e foi adaptado para o cinema em 2008. Seu segundo romance, A sereia e o monge, que alcançou a primeira posição na lista de mais vendidos do New York Times, ganhou o prêmio Quill de 2005 para melhor obra de ficção e foi transformado em um filme para a TV. Sua mora perto de Charleston, na Carolina do Sul.

Vale a pena ler! Fico feliz de ter tido a oportunidade de ler a prova do livro (Agradeço a Paralela, a Companhia das Letras) e fiquei com muita vontade de ler os outros livros da autora. (:


Lançamento: 07/02/14

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