20 de maio de 2014

Resenha As Sombras de Longbourn - Jo Baker

Título: As Sombras de Longbourn | Autor: Jo Baker | Nº de páginas: 456 | Ano: 2014 | Editora: Companhia das Letras | Compre: Livraria Cultura (epub) | Leia um trecho
No livro de Jo BakerAs Sombras de Longbourn, revisitamos a propriedade de Longbourn, a moradia da família Bennet, só que, desta vez, por um ângulo totalmente diferente. Esqueça a vida boa e tranquila dos moradores e suas preocupações com a moral e os bons costumes e o desejo quase obsessivo da Sra. Bennet em casar as filhas, a vida no andar de baixo não é nem um pouco glamourosa e muito menos fácil.

Uma das criadas de Longbourn, Sarah, é a nossa protagonista e seus dias se resumem a acordar bem cedo para cumprir suas atividades, como cozinhar, arrumar a mesa de refeições, cerzir, fazer a limpeza, lavar as roupas dos patrões e esvaziar o conteúdo dos penicos dos membros da família. Enquanto isso, as mocinhas Bennet circulam por aí procurando pretendentes e enchendo as barras de seus vestidos de lama, os quais Sarah depois terá de esfregar até que voltem à sua cor original.

Sarah podia estar conformada com a vida, que é a mesma desde que ela passou a morar na propriedade com cerca de 9 anos, quando seus pais morreram. O problema, porém, é que ela é uma garota sonhadora que anseia por aventuras, viagens e conhecer novos lugares. A novidade aparece na figura de James, um homem que se junta ao time de empregados da casa e passa a significar uma oportunidade instigante na vida monótona de Sarah. Ela faz de tudo para chamar a atenção dele, e quando este não lhe dá bola, passa a investigar e tenta descobrir os caminhos por onde James andou e o que esconde de todos em Longbourn. Afinal de contas, preconceituosamente, ela pensa que ele pode ser um ladrão ou um assassino.

O ar estava gélido às quatro e meia da manhã, quando ela começou a trabalhar. O cabo da bomba, de ferro, estava frio e, apesar das luvas, os eritemas lhe queimavam com o esforço de bombear a água da escuridão subterrânea para o balde. Seria um longo dia de labuta, e aquilo era só o começo.
Tudo o mais era quietude. Na encosta, os carneiros aconchegavam‑se em grupos; nas sebes, pássaros arrepiavam‑se como cardos lanosos; nos bosques, folhas caídas farfalhavam à passagem de um porco‑espinho; o regato refletia a luz baça do céu e reluzia ao transpor as pedras. Lá embaixo, no estábulo, as vacas bafejavam nuvens de tênues exalações; e, na pocilga, a porca estremecia, com as crias agarradas à barriga. Lá no alto, em seu minúsculo sótão, a sra. Hill e seu marido dormiam o sono negro e sem sonhos da extrema fadiga; dois andares abaixo, no quarto principal, o sr. e a sra. Bennet lembravam, debaixo da colcha, um par de montículos de cemitério. Dormindo em suas camas, as cinco moças sonhavam seja lá o que as moças sonham. Sobre tudo isso, fulgia a gélida luz estelar. Fulgia sobre os telhados de ardósia, o pátio lajeado, a casinha da sentina, o arboreto, a pequena área inculta ao lado do relvado, sobre os bandos de faisões encolhidos. E fulgia sobre Sarah, uma das duas criadas de Longbourn, que acionou a bomba, encheu um balde, rolou‑o de lado, com as palmas das mãos já feridas, e pôs outro balde sob a bomba para enchê‑lo também.

As Sombras de Longbourn conseguiu dividir minhas opiniões. Por um lado, considero interessante a crítica social feita pela autora e a voz que ela concedeu a personagens que nos passam despercebidos na obra Orgulho e Preconceito e é bacana ver um outro aspecto da história, por outro, acabou sendo, de certa forma, desagradável encarar essa outra realidade! Se o mundo nos parece injusto agora, naquela época também não era muito diferente.

As Sombras de Longbourn me fez pensar em desigualdades, exploração do trabalho, injustiças e me fez também detestar alguns personagens... Como, por exemplo, a característica do preconceito de Darcy e o fato de que ele não cumprimenta nenhum empregado em Longbourn – nem ao menos parece notá-los, na verdade - fica mais evidente no livro. E Elizabeth, principalmente ela, que é uma personagem tão justa na obra de Austen e aqui não é capaz de realizar um simples favor a Sarah. Nem irei comentar com vocês o segredo do Sr. Bennet para não dar spoilers, e sobre Wickhan que consegue ser ainda pior! Imaginem só! Me pergunto se essa impressão ruim que ficou dos personagens originais vai passar, rs. O problema é que tudo o que Jo Baker escreve parece ser muito provável e encaixa bem na trama, talvez seja exatamente por isso toda a indguinação vinda durante a leitura.

Um detalhe que bem caprichado da Companhia das Letras foi terem colocado alterado por conta da época em que se passa a história, a ilustraçao de uma charrete junto com o nome da editora na capa, vocês notaram? (:

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