6 de maio de 2014

Resenha Tigana: A Lâmina na Alma (livro um) - Guy Gavriel Kay

Título: Tigana: A Lâmina na Alma (livro um) | Autor: Guy Gavriel Kay | Número de páginas: 368 | Ano: 2014 | Editora: Saída de Emergência | Compre: Livraria Cultura (epub) | Leia um trecho
Sabem aquela história que quando você termina de ler fica se perguntando "o que será que vai acontecer com os personagens em seguida?" Foi exatamente o que me ocorreu ao final da leitura do primeiro volume de Tigana.

Devin é um bardo de 19 anos que faz parte de uma companhia de músicos. Nascido , aparentemente, em uma família simples de Asoli, quando descobrem seu dom para o canto e surge o convite de Menico para se juntar a companhia, o garoto logo aproveita a chance para deixar a fazenda do pai. Agora, alguns anos depois, em Astibar, surge uma chance única para o grupo de músicos mostrarem seus talentos e aumentarem a fama: fazer os ritos fúnebres completos de um antigo líder do lugar, Sandre, o que não era permitido na cidade há anos. O que Devin ainda não sabe é que muito do que ele tem como verdade irá mudar e que existem coisas que ele ainda não sabe, como uma organização que tem como objetivo recuperar a antiga Tigana, que depois de um encantamento de Brandin de Ygrath,  foi destruída, esquecida, e passou a ser conhecida como Baixa Corte.

Primeiras frases
"Na outonal estação dos vinhos, pelos ciprestes, oliveiras e parreiras de sua propriedade rural, correu a notícia de que Sandre, Duque de Astibar e outrora governante daquela cidade e província, tinha dado o último suspiro amargo de sua longa vida e de seu exílio, falecendo em seguida. Nenhum servo da Tríade estivera ao seu lado para realizar os ritos finais. Nem os sacerdotes de Eanna, com suas vestes brancas, nem os da negra Morian dos Portais, nem as sacerdotisas de Adaon, o deus.
Ninguém se surpreendeu na cidade de Astibar ao receber a notícia do falecimento do Duque. A fúria de Sandre com a Tríade e seus clérigos, nos últimos dezoito anos de sua vida, estava longe de ser um segredo. E Sandre d’Astibar nunca escondera sua descrença, mesmo na época em que estivera no poder.
A cidade estava cheia de pessoas da longínqua distrada e além, na véspera do Festival das Vinhas. Nas tavernas lotadas e nos salões de khav, verdades e mentiras sobre o Duque eram trocadas como lã e especiarias por pessoas que nunca haviam visto seu rosto e que certamente empalideceriam."

O que me despertou interesse, principalmente, pela série escrita por Guy Gavriel Kay foi uma matéria publicada pela Revista Bang! nº 0 que trazia informações sobre o universo de Tigana dizendo que o diferencial da série era que nela os personagens tinham de enfrentar diversos conflitos de moral e ética durante a história e que nenhum deles podia ser visto como sendo todo mau ou todo bom - mocinho ou vilão. Realmente isso acontece, principalmente envolvendo as decisões do Príncipe de Tigana, Alessan. Além disso, que o autor gostava de misturar fantasia com fatos históricos.

Quando me deparei com a capa de Tigana e li sua contra-capa, logo me veio a mente a trama de Assassin's Creed, o que foi um fato curioso já que na entrevista para Revista Bang, o autor conta que se baseou mesmo na Itália Renascentista e na Europa Medieval para criar o ambiente da saga. 

Vamos dizer que eu não achei a história extraordinária, a princípio, talvez pelo fato de estar acompanhando no momento mais duas séries de fantasia. Entretanto, Tigana tem elementos singulares muito interessantes, como o próprio mito de criação do mundo de Adaon, Eana e Morian, que chegam a aparecer até nos sonhos de um dos personagens. Aqui não há uma variedade de criaturas como em outras sagas, porém o peso dado a magia compensa, além disso, a trama toda está ligada ao fato de que dois feiticeiros poderosos - Brandin e Alberico - controlam, cada um, uma parte da Península da Palma. Há também a busca dos personagens por sua terra natal que por conta da vingança de Brandin, quando seu filho foi morto por Valentin (Príncipe de Tigana), teve seu nome esquecido, mas a lembrança de alguns começa a fomentar uma revolução.

Posso colocar aqui na resenha que um ponto negativo do livro, para mim, foi o fato de a história ser dividida em três partes. A primeira começa a partir de Devin, um bardo, que está em junto com sua companhia composta por outros músicos, na província de Astibar. A segunda interrompe a aventura praticamente em seu auge para contar a história de uma outra personagem na Ilha de Chiara, Dianora, uma das concubinas do feiticeiro Brandin, que também é ótima, porém, por conta da "interrupção", foi uma parte que eu não estava nada animada em acompanhar, não naquele momento, rs. A terceira parte retorna para o grupo que estávamos acompanhando na primeira, mas só depois de muitas páginas! (Me veio a ideia agora que poderia ter pulado a segunda e voltado a ler ao final, mas enfim, fica, então, a sugestão para quem se sentir da mesma forma, rs.)


Scan retirado da Revista Bang. Leia a matéria na íntegra na revista.

Falando nos personagens, esse é um outro ponto bastante positivo de Tigana. Os personagens possuem características muito fortes e histórias cativantes, o que nos faz torcer por eles. Digo isso, principalmente, em relação a Catriana, a garota de cabelos vermelhos e o jovem Devin, que são meus preferidos (até o momento!). No começo, confesso que é um pouco difícil entender o contexto político em que eles vivem e associar de forma correta cada nome a sua pessoa e ao seu sobrenome, que é composto pelos lugares de onde vêm, mas depois, no decorrer da leitura, isso fica mais fácil.

Quem gosta do gênero certamente não irá perder a oportunidade se aventurar por Tigana. A obra já foi traduzida para 21 línguas, e a nossa edição ficou super caprichada, com direito a desenhos de mapas e com posfácio exclusivo do autor.

Será uma trilogia? Uma série? O segundo volume já está disponível pela Saída de Emergência. Atualização 8/05: Entrei em contato com a SDE que confirmou que a série é composta por apenas dois volumes.

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