8 de julho de 2014

Resenha Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo - Benjamin Alire Sáenz

Título: Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo | Autor: Benjamin Alire Sáenz | Número de páginas: 392 | Ano: 2014 | Editora: Seguinte | Leia um trechoCompre: Livraria Cultura (epub)
Aristóteles é um garoto de 15 anos morador do Novo México, nos Estados Unidos. Logo no início do livro, já percebemos que ele é um tanto fechado, prefere passar seu tempo sozinho e não tem muitos amigos, até que ele conhece Dante, outro garoto da mesma idade. Os dois se encontram num clube, onde o Dante se oferece para ensinar Ari a nadar. Eles acabam se apresentando e, nisso, acham engraçado que os ambos tenham nomes de pensadores famosos. É aí que iniciam uma amizade, que será a base de todo o livro.


Primeiras frases
Certa noite de verão, caí no sono desejando que o mundo fosse diferente quando eu acordasse. Quando abri os olhos de manhã, estava tudo igual. Afastei os lençóis e permaneci deitado, enquanto o calor entrava pela janela aberta. Estendi o braço para sintonizar o rádio. Tocava "Alone". Droga. "Alone", de uma banda chamada Heart. Não era minha música favorita. Não era meu assunto favorito. "Você não sabe quanto tempo..."
Eu tinha quinze anos.
Estava entediado.
Estava infeliz.
Por mim, o sol poderia ter derretido todo o azul do céu. Aí o céu seria tão infeliz quanto eu.
O locutor dizia coisas irritantes e óbvias, como "É verão! Faz calor lá fora!", para depois chamar a vinheta antiga do Cavaleiro Solitário; ele gostava de tocar aquilo todas as manhãs, achava que era um bom jeito de acordar o mundo. "Aiô Silver!" Quem contratou esse cara? Ele era péssimo. Acho que pensava que, ao escutarmos a abertura da ópera Guilherme Tell, imaginaríamos o Cavaleiro Solitário e o Tonto cavalgando pelo deserto. Talvez alguém devesse dizer àquele cara que já não tínhamos mais dez anos.

Ari conta para o leitor, bem no começo do livro, que ele se sente, praticamente, como um filho único por ter três irmãos mais velhos com uma grande diferença de idade. São eles as gêmeas de 27 anos, casadas, já com filhos e que moram em suas respectivas casas, e o irmão mais velho, de 25, chamado Bernardo, cujo nome ninguém ousa tocar dentro de casa por ele estar preso. O Ari tem uma necessidade muito grande em saber sobre o irmão, mas quando ele tenta abordar o assunto, os pais e as irmãs ficam bastante desconfortáveis e não abrem o jogo com ele para contar o que aconteceu. É como se o irmão tivesse morrido, o próprio Ari pensa, já que não há nada dentro de casa, como fotos, por exemplo, que tenham a ver com o irmão, exceto um envelope que a mãe guarda mas que Ari nunca teve coragem de abrir sem a autorização dos pais.

Além dessa questão importante do irmão que Ari sente curiosidade em conhecer, é interessante ver o relacionamento dele com o pai, um ex-soldado que participou da guerra no Vietnã, que é bastante distante. Os dois quase não conversam, e fica aparente, em várias partes do livro, uma reclamação do Ari em relação a isso, dizendo que sente que não conhece o pai. Ele tenta pegar pedaços de comentários do pai, de coisas que aconteceram no passado na tentativa de formar uma imagem do pai, que não se mostra para o filho. Diferentemente da mãe, que está sempre conversando com Ari apesar de ele ser, às vezes, aquele típico adolescente “aborrecente”, preocupada com o fato de ele ser muito sozinho.

Para mim, o ponto principal do livro são as transformações pelas quais o Ari está passando, seu amadurecimento físico e psíquico, e suas questões perante a vida, ou seja os segredos do universo. Ele começa a questionar tudo a sua volta, os valores passados pelos pais e o porquê das coisas. Por exemplo, há uma situação em que Ari visita Dante, ele vê o amigo cumprimentando o pai com um beijo no rosto. A princípio ele acha esse costume um tanto estranho já que ele não tem isso em casa, mas depois ele pensa como seria se a família dele tivesse também esse comportamento. O Dante, por exemplo, não gosta de usar sapatos, e sempre inventa uma desculpa ou um jogo para se livrar deles. Ari, então, encontra em Dante um companheiro que quer desvendar os mistérios da vida, já que o próprio Dante também têm suas questões, também está buscando uma nova identidade e os dois conversam muito sobre tudo.

A narrativa é focada em Ari, que é quem narra a história, sendo que os acontecimentos são mais centrados nele do que no Dante, embora esse último seja uma personagem bastante importante para o desenrolar dos acontecimentos. A leitura é bem fácil, não muito detalhada, e o livro é composto de capítulos curtos.

Me surpreendi com o livro no sentido de que a história acabou tomando um rumo bem diferente do que eu esperava ao ler os primeiros capítulos disponibilizados pela Seguinte (vocês podem lê-los aqui). Infelizmente eu não consegui me envolver tanto com as personagens tanto quanto gostaria e pensei que fosse. Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo é uma história bacana de crescimento, da busca pelo eu, além de abordar de uma forma leve e natural a questão da orientação sexual, e da homossexualidade.

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