Resenha Freud me segura nessa! - Laura Conrado

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Título: Freud me segura nessa! | Autor: Laura Conrado | Número de páginas: 272 | Ano: 2014 | Editora: Novo Século | Compre: Livraria Cultura
Freud Me Segura Nessa! é segundo volume da série escrita pela autora Laura Conrado. A personagem principal é Catarina, mais conhecida como Cat, uma garota que passa por uma desilusão amorosa com seu antigo terapeuta, trama que é contada para o leitor no primeiro livro. Agora, no segundo, ela tem a chance de mudar de ares, ao aceitar uma proposta de emprego em Nova York para trabalhar numa empresa como assistente. Aceitando o convite, ela viaja com destino a uma nova vida e várias oportunidades de crescimento, tanto profissional como pessoal. Então, enquanto ela está procurando por um apartamento que não lhe custe muito, Cat conhece o seu futuro vizinho, e próximo namorado, Nick. Ela precisa passar, então, a conciliar a nova paixão com seu novo emprego e a nova rotina num país diferente, porém, algo inesperadamente chato acontece e muda novamente a vida da Cat.

É complicado quando temos uma grande expectativa em relação a uma determinada leitura. Há tempos quero ler um dos livros dessa série, principalmente pelo fato dos títulos incluírem o pai da Psicanálise, Freud. A minha maior curiosidade era ver como a autora encaixaria algo da teoria na narrativa da personagem.

Posso estar sendo até muito crítica mas, realmente, me espantei com o desenvolvimento da história já que o primeiro livro, “Freud me tira dessa” ganhou o prêmio de melhor chick-lit nacional do ano de 2012. Eu realmente esperava mais de Freud Me Segura Nessa! e fico até chateada em dizer isso, mas, achei a história chata e a personagem mais chata ainda. Simplesmente não consegui gostar dela, ou achá-la engraçada. Para vocês terem uma ideia, uma das coisas que mais me incomodou foi o fato de que, mal Cat conhece a secretária/recepcionista do chefe ela já chama a mulher de vaca em seus pensamentos. Segue um trecho:

      "Desci do elevador e dei de cara com uma pequena sala. Enquanto me apresentava, a recepcionista me olhou dos meus brincos até minhas botas. Feito. Identifiquei a primeira vaca do lugar. Você muda de lugar, e seus hábitos te acompanham. Vaca sempre fora meu xingamento preferido.
     – O Eric ainda não chegou – a moça falou voltando o rosto para a tela do computador. – Mas você pode sentar e esperá-lo.
    Não, vaca, vou esperar em pé.
     – Obrigada. – sorri e me sentei. Tentei puxar assunto, dizer que era novata ali, mas a menina nem perguntou meu nome. Achei melhor ficar na minha e não dar brecha para tomar coice ou mostrar minhas garras no primeiro dia de trabalho.
A vaca da recepção devia ser mais nova do que eu. Tinha os cabelos num tom escuro, grosso, como vaca de verdade, ostentando um corte Chanel que não combinava com aquelas roupas modernosas com botões enormes, que mais pareciam tampas de lata de leite condensado. Nos cascos um esmalte Fanta-laranja e muitas, muitas pulseiras que faziam barulho feito um chocalho de cascavel quando ela balançava a pata para atender o telefone. E parecia atender sem olhar para as teclas, porque os olhos acompanhavam, mais como águia do que como vaca, sorrindo, todo homem que passava. De terno, óbvio." (...)                     - p. 29                     

O vaca-pra-cá e vaca-prá-lá continuam.... O engraçado se não fosse trágico é que ela acaba fazendo o mesmo que acusou a secretaria de ter feito, ou seja, analisa a mulher da cabeça aos pés. O pior é que Cat não usa seu xingamento preferido apenas nessa parte... Só final do livro é que ela cai na real e se põe no lugar do outro, enquanto isso, o leitor é quem tem de aturar a criança-chata-Cat. E vocês sabem que quando a gente não gosta de uma personagem principal fica complicado torcer por ela e tudo o mais.

Outro ponto que não me agradou foi o jeito como a história foi contada. Vocês sabem que adoro narrativa em primeira pessoa, além disso, gosto mesmo é de me sentir dentro da história. Então, pelo fato da Cat ir para Nova York, pensei que teríamos descrições do dia-a-dia dela, de como é viver na cidade, os estabelecimentos por onde ela passa, o que ela vê por lá etc., mas isso não acontece no livro. A narrativa é construída de modo que pegamos somente algumas partes de diálogos ou do que está acontecendo com Cat, pois a maior parte parece mais um relato rápido dela sobre os acontecimentos, pelo menos foi essa a impressão que ficou para mim. Tudo fica mais focado nos pensamentos e sentimentos da protagonista.

Em um certo momento da narrativa Cat decide buscar terapia e passa se encontrar com uma terapeuta brasileira. É interessante ver como ela foi construída, apesar de acompanharmos pouco do diálogo entre as duas, e ver como o processo ajuda na tomada de consciência da personagem, em relação a suas atitudes e os problemas que Cat estava enfrentando. O fato de colocar uma personagem fazendo terapia pode ajudar aqueles que estão lendo o livro a perceberem que não é nenhuma coisa de louco fazer terapia, e que você não precisa enfrentar todos problemas sozinho, pelo contrário, pode buscar ajuda para passar por eles ou para melhorar seu autoconhecimento, no caso, com o auxílio de um profissional psicólogo.

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