21 de outubro de 2014

Resenha A Vida do Livreiro A. J. Fikry - Gabrielle Zevin

Título: A Vida do Livreiro A. J. Fikry | Autor: Gabrielle Zevin | N. pág: 186 | Ano: 2014 | Editora: Paralela | Leia um trechoCompre: Livraria Cultura
O personagem desta história é A. J. Fikry, um homem em torno dos seus 40 anos, visto como carrancudo e ranzinza por seus conhecidos. Sua esposa, Nic, faleceu há poucos anos e, desde então, as vendas na livraria que abriram juntos, a Island Books, em Alice Island, vem diminuindo por conta de sua falta de simpatia e sua relutância em colocar best-sellers em suas prateleiras.

Numa noite, enquanto sai para correr, o livro mais valioso do acervo de Fikry, um exemplar raro dos primeiros escritos de Edgar Allan Poe desaparece. Quando chega em casa, que fica em cima da livraria, Fikry logo nota a ausência do livro e percebe que algo foi deixado em seu lugar, uma bebê de dois anos com um bilhete desesperado da mãe. Mal sabia ele que essa inesperada visitante iria trazer um novo rumo para sua vida.

Na balsa de Hyannis para Alice Island, Amelia Loman pinta as unhas de amarelo e, enquanto espera que sequem, dá uma lida nas anotações de seu predecessor. "Island Books, aproximadamente 350 000 dólares per annum em vendas, a maior parte para os veranistas nas férias", reportou Harvey Rhodes. "Cento e oitenta mentros quadrados de área de vendas. Sem funcionários em tempo integral exceto o dono. Seção infantil muito pequena. Presença na internet incipiente. Pouca influência na comunidade. O inventário dá ênfase à literatura, o que é bom para nós, mas o gosto de Fikry é muito específico e, sem Nic, não dá para experimentar coisas diferentes por ali. Pra sorte dele, a Island é a única livraria da cidade." Amelia boceja - está com uma ressaquinha de leve - e pensa se uma única livraria esnobe vai valer a pena uma viagem tão longa. Quando o esmalte secou, seu incansável lado otimista já tinha dominado: Claro que vai valer a pena! Sua especialidade são livrariazinhas esnobes e os tipos que cuidam delas. Seus talentos também incluem ser multitarefas, selecionar o vinho ideal para o jantar (e a habilidade adjunta: cuidar dos amigos que beberam demais), plantas caseiras, vira-latas e outras causas perdidas. 

Quando li a sinopse de A Vida do Livreiro, imaginei que Fikry fosse já um senhor, então foi realmente uma surpresa descobrir que ele tinha cerca de 10 anos a mais do que Amelia, a editora da Pterodactyl, outra personagem que conhecemos logo no começo, que está enfrentando uma viagem de várias horas para mostrar o catálogo de lançamentos para o livreiro. Fikry, como vocês já devem ter percebido, é aquele tipo de leitor conservador, que só gosta de ler certos autores e abomina histórias de fantasia, auto-ajuda e outros best-sellers que as pessoas geralmente querem comprar, rs. Não importa o que Amelia lhe diga, que aquele livro tem algo de especial e, que se lhe der uma chance irá gostar, Fikry é irredutível e prefere ficar somente com os livros de contos.

É engraçado acompanhar como Fikry, um homem aparentemente indelicado e arrogante e sem paciência se organiza para cuidar de um bebê não tendo, praticamente, nenhum conhecimento sobre o assunto. E como a personagem muda em diversos aspectos quando se propõe a tomar conta de Maya.

Um aspecto muito interessante do livro é que cada início de capítulo traz as peculiares impressões do próprio Fikry sobre alguma de suas leituras, que contemplam romances e contos (Cordeiro ao matadouro, Roald Dahl; O diamante do tamanho do Ritz, F. Scott Fitzgerald; Sorte de Roaring Camp, Bret Harte; Como é o mundo, Richard Bausch; …) A narrativa é organizada em terceira pessoa, no tempo presente, e constituída de frases mais objetivas, curtas.

Para mim, A Vida do Livreiro A. J. Fikry traz, de certa forma, a importância dos livros em nossas vidas, e como cada história nos acompanha, seja nos momentos bons ou ruins, nos fazendo pensar, entender ou simplesmente dar um tempo da nossa realidade, mais ainda, como eles conectam as pessoas.

A Vida do Livreiro A. J. Fikry é uma história singela, rápida e boa de ler, porém, um tanto triste. Nela não há monstros, magia ou elementos fantásticos, mas é uma trama sobre pessoas reais, a qual poderia ocorrer na vida de qualquer um. Com toda certeza, faz uma homenagem a todos aqueles que amam livros.

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