31 de dezembro de 2014

Resenha Mundo Novo (Trilogia Mundo Novo #1) - Chris Weitz

Título: Mundo Novo (Trilogia Mundo Novo #1) | Autor: Chris Weitz | Número de páginas: 328 | Ano: 2014 | Editora: Seguinte |
Sabem aquele livro que a história vai te surpreendendo a cada página e ao final você pensa “quero a continuação, agora!”? Pois é, foi isso que me aconteceu ao terminar a leitura de Mundo Novo, primeiro livro da trilogia Mundo Novo do autor Chris Weitz, lançamento da Seguinte.

Confesso que, apesar de adoraaar distopias e me interessar por Mundo Novo, não esperava lá muito do livro, mas, acabei mordendo a língua e logo já estava bastante envolvida na história. Era um tipo de livro que estava querendo ler já há algum tempo: jovem, divertido e com uma boa trama.

Há dois anos uma doença se alastrou e matou todos os adultos e as crianças do planeta. Só os adolescentes sobreviveram e, até onde se sabe, conseguiram isso graças a certos hormônios que são produzidos nessa idade. Se você um dia já imaginou como tudo seria se só existissem adolescentes e achou que tudo seria uma maravilha... Pense de novo. Não existe internet, nem energia elétrica e a carne é escassa, em contra partida, alimentos industrializados, e objetos praticamente inúteis ainda são encontrados aos montes. Numa realidade assim não é difícil que ocorram conflitos e a ordem ficou complicada, tendo as pessoas que se juntaram em grupos para sobreviver. Pelo menos até completarem 18 anos.

A tribo de Washington Square, que conhecemos logo no começo do livro, é comandada por Wash. O problema é que quando ele completa 18 anos, começa a sentir os sintomas da doença e seu irmão, Jefferson, um dos nossos protagonistas, acaba assumindo a liderança. Em meio ao luto e ao pedido de Wash de que fuja dali, já que a situação da sobrevivência por lá estava ficando cada vez mais difícil, Crânio, um garoto entendido de tecnologia e ciência – ok, o mais nerd do grupo – descobre  o resumo de um artigo científico escrito antes do caos começar que pode indicar uma cura para o vírus. O conflito de Jeff passa a ser entre ficar em Washington Square e “viver” por mais alguns anos ou colocar a si mesmo e a outros em perigo na busca de uma cura que pode nem existir. Ele, Crânio, Donna, e Peter saem numa perigosa jornada e mal podem imaginar no que vão encontrar pela frente.

Primeiras frases
Jefferson
          "Mais um lindo dia de primavera após o colapso da civilização. Estou fazendo minha ronda, seguindo o trajeto que serpenteia o Washington Square Park como um símbolo do infinito deformado. Passo pelas mesas onde os velhinhos costumavam jogar xadrez, agora a oficina a céu aberto de Crânio. Depois passo pela fonte, testemunha de inúmeros primeiros encontros, venda de maconha e gritos estridentes das crianças brincando com a água. Agora é o reservatório da tribo, coberto por lona para evitar cocô de pomba e a proliferação de algas.
          A estátua de Garibaldi está enfeitada com coroas de flores de plástico, colares de carnaval, antigas correntes e medalhões de rappers - troféus de expedições em busca de qualquer coisa aproveitável do outro lado dos muros. Áreas condenadas: Broadway, Houston, galerias de tiro do West Village. Presas com fita adesiva ao pedestal, lembranças dos mortos. Fotos de mães, pais, irmãos e irmãs, animais de estimação perdidos. Aquilo que sua mãe costumava chamar de "fotos de verdade", ao contrário dos arquivos digitais. Sobraram as cópias impressas, agora que milhões de recordações se perderam na nuvem. Um oceano de uns e zeros significando nada."

Um ponto muito legal de Mundo Novo é que existem inúmeras referências ao mundo real de hoje, ou ao de Antes da Doença no caso dos personagens, como a elementos do universo literário, cinematográfico e tecnológico. São citados e inseridos no texto desde marcas como Mac’Donalds, Iphone e Netflix, a Star Wars, Tolkien, Buda e Obama, o que torna impossível não se identificar com o drama dos personagens.

Falando em personagens, Chris Weitz conseguiu criar um time muito bacana para a trilogia, desde os protagonistas, dos quais falarei especificamente logo mais, aos demais, como Crânio, Peter, Minifu, Ratso e outros que vão aparecendo ao longo das páginas e conhecemos mais sobre suas histórias. E tudo me diz que no próximo livro, irão surgir ainda muitos novos personagens. ;)

Jefferson é aquele cara que permanece idealista e esperançoso mesmo em meio ao caos. Ele está sempre querendo fazer a coisa certa e, como coloca Donna, tem uma síndrome de príncipe do cavalo branco e predisposição a querer salvar o mundo, rs. Ele, realmente, sente o peso da responsabilidade que carrega de manter todos a salvo, e a realidade que é colocada a ele testa a todo momento seus princípios. Em meio a tudo isso, o garoto enfrenta ainda a questão de se declarar de uma vez por todas a Donna, de quem gosta desde o jardim da infância.

Donna é aquela personagem difícil de não gostar, ela é bastante desbocada, cética e possui um toque de humor negro, que fica visível em certas situações. Porém, ao longo da viagem, vamos percebendo que ela também tem uma outra face, mais sensível, além daquela da maioria das vezes onde está sempre bancando a durona.

A narrativa é intercalada entre Jeff e Donna e é muito interessante perceber que até a estrutura da escrita muda dependendo do ponto de vista. Na de Jeff, por exemplo, ela é toda certinha seguindo todas as regras, enquanto na de Donna, as frases são mais curtas e as falas são indicadas pelo nome dos personagens que estão falando e o sinal de “:” e não por travessão, como é comumente usado. Até mesmo a tipografia (o estilo da letra) é diferente, bem como o modo de contar a história tem o jeitinho e reflete a personalidade de cada um.

Nem preciso falar que o tema da distopia com elementos de tecnologia e ciência contribuíram para que eu gostasse ainda mais de Mundo Novo, que acabou me lembrando muito de uma certa série que adorava mas, infelizmente, foi cancelada... Revolution *__*. Mas calma lá se você não era muito fã de Revolution, pois a série de tv e a trilogia literária não tem muitas coisas em comum, rs.

O primeiro livro acaba no exato momento, no exato momento de deixar o leitor doidinho para saber o que virá a seguir e esperar ansiosamente pela continuação. Mas é claro que já fui correndo perguntar a editora quando teremos o segundo volume. Segundo a Seguinte, o autor ainda não terminou de escrever, mas o lançamento é esperado para 2015! Aeee  :)

 
   capa nacional                                                      capa americana

Só para terminar essa gigante resenha com chave de ouro, vamos falar sobre a capa nacional de Mundo Novo? Na foto do início do post temos ela inteira, e acima, vocês podem ver, a direita, a capa americana. O que acharam? Particularmente, adorei as ilustrações da nossa capa e me peguei várias vezes tentando adivinhar qual era qual personagem, mas confesso que não consegui muito! Apenas Jeff e, talvez, Donna, Minifu e Crânio, rs. Quem tiver suposições deixe, por favor, nos comentários.

Recomendado!

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