19 de janeiro de 2015

Resenha Juvenília - Jane Austen e Charlotte Brontë

Título: Juvenília | Autor: Jane Austen e Charlotte Brontë | Número de páginas: 472 | Ano: 2014 | Editora: Penguin Companhia | Leia um trecho
Em Juvenília temos a tradução para o português, feita e organizada por Julia Romeu, dos primeiros manuscritos de duas das autoras mais importantes da literatura inglesa: Jane Austen e Charlotte Brontë. Aqui encontramos a produção de Austen dos 12 aos 18 anos, entre 1787 e 1793, que foi corrigida e melhorada pela própria autora nos anos seguintes. Já os escritos de Brontë, diferente dos de Austen, não foram editados por ela e possuem um grande conteúdo – que rendeu muito trabalho à organizadora da edição – e compreendem um período entre seus 13 e 23 anos, de 1829 a 1839.


Para o leitor mais desavisado e que esteja esperando por um romance típico de Jane Austen em Juvenília, as histórias escritas na sua juventude vão parecer bobinhas, mas, de acordo com Fraces Beer, responsável pela introdução e notas da obra, são importantes pois revelam traços característicos que apareceriam em suas obras mais tarde, e também mostram o amadurecimento de Jane como escritora. Podemos ver vários personagens que serviram de inspiração para outros nos futuros romances. Como em “As Três Irmãs”, por exemplo, que traz Mary Stanhope, que se une a um homem que detesta só para ser a primeira casada da família e, graças a seu novo status, ser “superior” às irmãs e outras mulheres da cidade, e que nos remete a Lydia Bennet, de Orgulho e Preconceito.

Os textos produzidos por Austen na juventude vão desde pequenos contos a romances mais longos. Ao contrário de CharlotteJane varia mais em relação às personagens, não deixando de retratar suas falhas e criticar a sociedade de sua época, que compunha, obviamente, o cenário de suas histórias. A impressão que ficou para mim foi um certo humor negro da jovem Jane presente nos primeiros escritos, ao dar certos desfechos trágicos a suas personagens.

Ao passo que Charles é o narrador da maioria dos acontecimentos em Angria, nos textos de Chalotte Brontë reina a narrativa em primeira pessoa, já Jane Austen testa vários estilos de narrativa, usando ora terceira ora primeira pessoa, que aparece por meio da troca de cartas entre as personagens.

Para minha grande surpresa, logo no primeiro texto de Charlotte Brontë, mudando completamente a atmosfera das críticas comportamentais de Austen,  me deparo com uma aventura com direito a viagens marítimas, tempestades em alto mar e gigantes! Muitos dos elementos das histórias da autora na juventude, como descobrimos nas notas do livro, foram inspirados em obras românticas com as quais Charlotte teve contato em casa, como As Mil e Uma Noites e Shakespeare.

O que foi mais surpreendente na leitura é que me vi gostando mais de ler os escritos de Brontë do que os de Austen!  Não que uma seja melhor do que a outra, mas talvez, isso tenha ocorrido pelo fato de que os textos de Charlotte se passam num universo próprio criado pela autora, o reino de Angria. No decorrer dos capítulos vamos acompanhando quase sempre as mesmas personagens (Arthur/Zamorna, Mary, Marian, Mina, Charles, Zenobia, Elizabeth...) e percebendo como Charlotte ai perdendo a afeição por certas figuras que são centrais na trama em detrimento de outras, que ganham importância. Por meio das notas o leitor também descobre as características da própria Brontë e de sua família, que são “emprestadas” para suas personagens.

Falando em notas, essa é uma parte da Juvenília que contribui muito para o entendimento dos leitores sobre os textos, assim como a Introdução, pois traz explicações do contexto em que foram produzidos, sua organização ou desorganização (no caso de Brontë), relacionando também a fatos da vida das autoras e suas influências literárias.

"Essa juvenília é, claro, às vezes imperfeita ou infantil. Mas também serve para demonstrar a originalidade e a liberdade de espírito das autoras, o deleite delas no próprio processo de criação e suas mudanças de postura em relação a estilo e construção de personagens. "


Para quem tiver a chance de olhar a capa mais de perto, a arte é muito bonita e bem pensada. Além das letras J e C imitando o formato dos cabelos, a roupa de Jane tem linhas, enquanto a de Charlotte é preenchida com pontinhos, o que remete as diferenças, sendo que há uma parte em que ambas estão unidas, simbolizando suas similaridades. Pelo menos, essa foi a leitura que fiz! rs

Sem dúvidas, Juvenília é leitura indispensável aos admiradores de clássicos e aos fãs de ambas as autoras.

Compartilhe

  • Delicious

0 comentários:

Olá leitor! Quero muito saber o que você do post!

-> Deixe nos comentários suas impressões, opiniões e expectativas. Só não vale contar algum spoiler sobre o livro, rs. Se quiser falar comigo e não quiser usar os comentários, você pode escrever para mim por meio do formulário de contato, clicando aqui.

Obrigada pela visita! :D


Blogger Template by Clairvo