17 de janeiro de 2015

Resenha Antologia Poética Carlos Drummond de Andrade

Título: Antologia Poética Carlos Drummond de Andrade | Número de páginas: 344 | Ano: 2013 | Editora: Companhia das Letras | Leia um trecho
Está decidido e compreendido: a cada livro de poesia que leio fico mais convencida de que preciso ter ainda mais contato com ela, rs! Depois de viajar pelos poemas de Vinícius de Moraes e Paulo Leminski, embarquei na Antologia Poética de Carlos Drummond de Andrade, da Cia das Letras.

Ao ler a antologia poética acabei me dando conta do quanto o poeta foi presente na minha vida de estudante. Como vivia explorando meus livros de português na busca por poemas, na leitura atual me vi relendo e relembrando vários conhecidos versos de Drummond, como o famoso Poema de sete faces, Consolo na praia, Morte do leiteiro e No meio do caminho. Além disso, claro, pude conhecer novos!

No meio do caminho, p. 237.

O que é muito bacana nessa antologia é que ela foi organizada pelo próprio Carlos Drummond no ano de 1962, que ordenou seus poemas por temas em nove seções, são elas: O indivíduo, A terra natal, A família, Amigos, O choque social, O conhecimento amoroso, A própria poesia, Exercícios lúdicos e Uma visão da existência. A antologia, com certeza, nos mostra a diversidade que pode ser encontrada em toda a obra do poeta.

O livro conta ainda com fotos de Drummond, capa da segunda edição da antologia poética, leituras recomendadas, cronologia, e posfácio escrito por Antonio Cicero sobre poesia e explicando o poema “A flor e a Náusea”.

Cidadezinha qualquer, p.57.

Gostei muito da leitura, e escolhi dois poemas para trazer em fotos nesta resenha: "No meio do caminho" e "Cidadezinha qualquer.", os quais vocês puderam ler ao longo do post. Claro que na antologia há vários poemas lindos, inspiradores e alguns são, realmente, bem grandes! Mas o que me chama atenção nesses dois, em particular, é sua simplicidade e sua verdade, apesar de serem bem curtinhos, além, claro, da repetição e do jogo palavras - características que adoro num poema. Entretanto, todavia, porém, posso dizer que o meu preferido no momento é o Poema de Sete Faces!

Poema de sete faces

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

Quais são seus poemas preferidos de Carlos Drummond de Andrade? Deixe nos comentários e faça uma blogueira feliz. :)

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