15 de janeiro de 2015

Resenha Manual AntiAutoAjuda - Oliver Burkeman

Título: Manual AntiAutoAjuda | Autor: Oliver Burkeman | Número de páginas: 216 | Ano: 2014 | Editora: Companhia das Letras | Leia um trecho
Felicidade para quem não consegue pensar positivo

A leitora que aqui vos fala já teve sua época de ler aquele bestseller superfamoso que ensina que ao imaginar que você já conseguiu algo que deseja, atrairá essa coisa para sua vida... - assim, simples como mágica! Acredito, sim, que todos nós temos uma energia e que, também, há energia em tudo ao nosso redor, mas ficar esperando que as coisas caiam do céu só de imaginar, graças a uma lei da atração, é bem forçado, concorda?

Confesso que quando lia algo a lá "bestsellers de autoajuda", ficava angustiada porque, por mais que tentasse, não conseguia manter só pensamentos ditos "bons" na minha cabeça. Claro que hoje sei que isso é impossível. Por isso, assim que assisti ao booktrailer de Manual AntiAutoAjuda fiquei curiosa para a leitura e para saber mais sobre as pessoas que o autor, Oliver Burkeman, teria descoberto ao redor do mundo que vão contra essa ideia do forçar-se a pensar positivo e buscar ser feliz a todo custo, ou seja, trilham o caminho da negatividade. Claro que não é, assim, tão ao pé da letra e simples de explicar, rs.

Para começar a felicidade é um conceito complexo. Existem inúmeras definições diferentes para ela e "o que é ser feliz" acaba sendo diferente para cada pessoa, devido a vários fatores. Então, fica claro que livros que prometem o caminho para a felicidade não vão conseguir cumprir aquilo a que se propõem. O próprio Freud, pai da Psicanálise - Sim! Não podia deixar de mencioná-lo, rs -, coloca que não existe uma receita e que cada um deve buscar, individualmente, o seu próprio jeito de alcançar a felicidade. [link]

Já adianto que adorei o livro! Em o Manual AntiAutoAjuda conhecemos vários modos de ver os acontecimentos da vida cotidiana que contrariam totalmente aquela visão otimista disseminada nos livros de autoajuda e até mesmo no nosso dia-a-dia. Logo em um dos primeiros capítulos, o autor fala sobre o estoicismo, uma escola de pensamento da filosofia, em que o homem deve agir pautando-se pela razão, isso explicando de uma forma bastante resumida. Porque não tenho muitos conhecimentos de filosofia, o que preciso mudar urgente,rs.

"Não pode ficar pior, pode? Obviamente, pode."

A lição trazida pelos estoicos é que ao pensarmos no pior que pode acontecer, por exemplo, acabamos percebendo que ao estar nessa situação, cuja a ideia para nós parece terrível, continuaremos vivos e que pode não ser, assim, tão ruim quanto pensamos. Dessa forma, são nossos julgamentos sobre os fatos que trazem sofrimento, pois as coisas em si, não são boas ou más, essencialmente.

Quando nos damos conta de que podemos perder aquilo que amamos, por exemplo, passamos a dar mais valor às pequenas coisas, e quando temos somente expectativas muito positivas do futuro, além de gastar um grande esforço para pensar no lado bom e diminuir os nossos esforços para conseguí-las (porque estamos imaginamos que já as conquistamos), quando elas não se realizam, a angústia é ainda maior.

“A maioria de nós, observam os estoicos, passa a vida iludindo-se de que o que nos torna tristes, ansiosos ou raivosos são certas pessoas, situações ou acontecimentos. Quando o colega da mesa ao lado o deixa irritado por não parar de falar, você acredita, naturalmente, que a fonte de irritação é o colega. (...) O colega não é irritante per se, mas por causa da sua convicção de terminar seu trabalho sem ser interrompido. (...) Na verdade, é um processo de dois passos: entre o acontecimento externo e a emoção interior há uma convicção. Se você não achasse ruim a doença de um parente, você ficaria aborrecido com ela? Claro que não. Shakespeare põe na boca de Hamlet: ‘Não existe nada de bom ou mau que não seja assim pelo nosso pensamento’.”

Falei mais sobre os estoicos pois foi um dos meus capítulos favoritos do livro, mas Burkeman escreve também sobre o budismo e a lei do desapego, a ideia de estabelecer metas e o perigo de ficarmos tão obcecados com elas que deixamos de lado todo o resto (inclusive a saúde física e os relacionamentos), a ideia da morte e como ela é vista de forma bem diferente da nossa no México, entre outros assuntos igualmente interessantes.

O mais legal é que o autor não traz apenas dados de estudos e pesquisas e explicações de autores importantes para falar dos temas, ele também conta suas experiências pessoais na busca de material para o livro, como suas viagens ao México e a África, sua estadia num centro budista onde passou uma semana sem falar, e seu “mico” ao gritar o nome das estações num metrô de Londres, antes do sistema automático, para provar a teoria dos estoicos.

"Para uma civilização tão obcecada em alcançar a felicidade, somos incrivelmente incompetentes nisso. Um dos achados mais conhecidos da 'ciência da felicidade' foi descobrir que as muitas vantagens da vida moderna pouco contribuíram para melhorar nosso estado de espírito. A verdade desconfortável parece ser de que o crescimento econômico não garante pessoas mais felizes, da mesma forma que uma renda pessoal maior, (...), nem uma educação melhor (...), nem um número cada vez maior de produtos de consumo (...), nem casas maiores e bonitas, que parecem garantir apenas o privilégio de mais espaço onde se sentir deprimido."

Manual AntiAutoAjuda é uma leitura diferente e informativa, que, de forma leve e entendível para leigos, aborda várias questões importantes e que são, na mesma medida, interessantes de se refletir nos dias atuais. Acaba sendo também um bom livro para iniciar o estudo dos assuntos abordados e traz diversas indicações de textos e entrevistas em inglês realizadas pelo autor, em “Notas” nas últimas páginas.

Recomendado!

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