6 de agosto de 2015

Resenha Grandes Esperanças - Charles Dickens

Título: Grandes Esperanças | Autor: Charles Dickens | Número de páginas: 704 | Ano: 2012 | Editora: Penguin Companhia | Leia um trecho
Em Grandes Esperanças conhecemos Philip Pirrip, mais conhecido como Pip, um garoto órfão cuidado desde pequeno pela irmã Joe e seu marido Joe Gargery. Pip considerava que levava uma vida feliz, aguardando pelo dia em que finalmente se tornaria aprendiz de Joe. Entretanto, alguns acontecimentos trariam consequências inimagináveis para seu futuro. Quando se torna jovem, Pip recebe uma herança de um benfeitor – que, a princípio, não deseja ser conhecido – e parte para viver uma vida de cavalheiro em Londres.

Apesar da vida simples, Pip estava contente com a perspectiva de tornar-se ferreiro, até o dia em que conhece a Sra. Havisham uma figura peculiar que parece ter parada no tempo e sua filha adotiva, a impetuosa Estella, que, logo na primeira oportunidade, acusa Pip de ser vulgar. A partir daí, ele passa a sentir vergonha de sua origem e daqueles que o criaram. Sua única esperança para, um dia, impressionar Estella, era ser cavalheiro, mas a possibilidade estava muito distante de acontecer, até o dia em que recebe a herança.


Grandes Esperanças é um romance de formação, em que acompanhamos as mudanças de Pip ao longo dos anos, desde o garoto ingênuo vivendo próximo ao charco a um aristocrata numa grande cidade. Nos pensamentos de Pip, encontramos conflitos de moral, ambição, dúvidas e, também, culpa. Esta principalmente relacionada a Joe, a quem igualmente a outras pessoas do seu passado, ele evita quando passa a viver como “cavalheiro”, endividando-se a cada passo.

A sensação que fica para mim, mesmo depois de tudo de ruim que disse sobre Pip (rs), é que um pouco daquele velho menino ainda permanece e se mostra nas situações onde ele pensa além de si mesmo, ou quando percebe, por exemplo, o quanto foi ingrato.

Joe Gargery é um personagem notável, daqueles qual o leitor facilmente gostaria de ter como amigo. Apesar de tudo, ele continua o mesmo ao passar dos anos, leal e sábio a seu modo simples de ser – que causa tanta vergonha ao garoto -, e sempre está lá para Pip. Pip pode até ter boas intenções ao incentivar Joe a estudar, mas é revoltante ver como ele se “esquece” de Joe na primeira oportunidade, talvez porque o amigo o lembre da “vulgaridade” apontada por Estella da qual ele quer se livrar a qualquer custo.

A história poderia até parecer sem graça, sem nenhum elemento fantástico para pôr ritmo, porém, é essa atmosfera habitual do dia-a-dia, a formação de um jovem que deixa sua cidadezinha para trás para viver de forma mais admirável em Londres, e a crítica a uma sociedade do século XIX que valoriza mais a riqueza e o sucesso à um bom caráter e coração – não tão diferente, muitas vezes, da nossa, aliás – é que torna a trama de Grandes Esperanças tão interessante. Sobretudo, eu diria que é a narrativa de Dickens, que dá voz a Pip, o elemento mais importante na hora de fisgar o leitor, o que acontece já nas primeiras páginas.

Foi bem o que aconteceu comigo. Ao ler o primeiro capítulo disponibilizado pela Cia Letras já sabia que havia descoberto uma obra importante e que deveria lhe dedicar bastante atenção. Com essa ideia, depois de o livro já ter chegado, namorei Grandes Esperanças por um bom tempo, até achar a melhor oportunidade para lê-lo de vez! Era também, confesso, uma questão de honra (rs) que entendesse a trama já que muitas dúvidas ficaram quando assisti a adaptação literária para uma minissérie de tv. Para ler, praticamente no escuro, deixei até mesmo a introdução da obra somente para o final da minha leitura.

Para aqueles que ficam em dúvida sobre qual edição adquirir, considero ótima a da Penguin Companhia que, além da introdução do especialista em literatura britânica David Trotter, notas explicativas, e uma tradução muito boa, traz também o final original escrito por Dickens que foi substituído em sua primeira edição.

Com certeza, há muito mais que poderia dizer sobre a obra, como a superficialidade das novas relações de Pip, o uso do termo “esperanças” quando poderia também ser “expectativas” na tradução de “Great Expectations”, a identidade misteriosa de seu benfeitor e as implicações da sua revelação para sua vida, mas, preciso encerrar a resenha por aqui e espero que alguns leitores decidam tentar descobrir esses mistérios por si mesmos. ;)

Super recomendo! Se você estiver procurando por um clássico da literatura como sua próxima leitura, pode ter certeza de que Grandes Esperanças, é uma ótima opção. Ah! E bem que deveria estar no topo da sua lista, rs!

Primeiras frases
Sendo o sobrenome de meu pai Pirrip, e meu nome de batismo Philip, quando menino minhas tentativas de pronunciar os dois nomes não resultavam em nada mais longo nem mais explícito do que Pip. por isso passei a denominar-me Pip, e assim vim a ser chamado. Digo que Pirrip era o sobrenome de meu pai com base na sua lápide e na minha irmã — a sra. Joe Gargery, que se casou com o ferreiro. Como jamais vi meu pai nem minha mãe, e nunca vi retrato deles (pois que viveram muito antes do tempo das fotografias), minhas primeiras fantasias a respeito de sua aparência se fundavam, de modo nada razoável, nas suas lápides. (...) Cinco pequenos losangos de pedra, cada um com cerca de meio metro de comprimento, dispostos numa fileira ordenada ao lado da sepultura dos dois, e dedicados à memória de cinco irmãozinhos meus — que desistiram de tentar viver excepcionalmente cedo nesse conflito universal — me inspiraram a convicção, à qual me apegava com fervor religioso, de que todos eles haviam nascido de costas, com as mãos nos bolsos das calças, e de lá jamais as tiraram neste estado da existência.
Nossa região era o charco junto ao rio, a uma disTância, onde o rio fazia curva, de trinta quilômetros do mar. Minhas primeiras impressões vívidas e abrangentes da identidade das coisas, creio eu que as vivenciei numa memorável tarde fria e úmida, já perto do anoitecer.

Ps: Imaginem a curiosidade em que ficavam os leitores de 1860 que acompanhavam a história publicada em partes numa revista semanal?!

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