24 de outubro de 2015

Resenha Cartas Extraordinárias

Título: Cartas Extraordinárias | Autor: Shaun Usher | Número de páginas: 368 | Ano: 2014 | Editora: Companhia das Letras | Compre: Amazon, Submarino
Cartas Extraordinárias é uma compilação de cartas selecionadas por Shaun Usher, um aficionado pelo assunto, que reúne mais de 125 correspondências dos mais variados autores – escritores, inventores, artistas, e também pessoas comuns, assim como nós, leitores. rs

Num tempo em que estamos cercados por tantos meios de comunicação que muitas vezes são imediatos, as cartas acabaram ficando de lado e perderam a importante função que tinham antigamente. Mas o mais legal de tudo é que as cartas permanecem e são capazes de contar uma imensidão de histórias, repletas de detalhes e emoções juntos à beleza da escrita.

Nem preciso dizer qual era a minha curiosidade para mergulhar nessas histórias gravadas em papel quando coloquei minhas mãos no exemplar de Cartas Extraordinárias. Só conseguia imaginar o quão interessante seria um livro recheado de correspondências de pessoas como Albert Einstein, Dostoiévski, Amelia Earhart, Charles Darwin, Beethoven, Elvis Presley, John F. Kennedy, Charles Dickens, rainha Elizabeth, Leonardo da Vinci, Galileu, Ghandi, entre muitos outros. 

Carta 047: As Luas de Galileu. De Galileu Galilei para Leonardo Donato, 1610.

Cartas Extraordinárias tem uma edição caprichada com direito a fotos de algumas das cartas originais e notas explicativas que acabam sendo de extrema importância para que o leitor consiga compreender o momento em que o texto foi escrito, por quem, porque, para quem, e até mesmo o que resultou daquela carta, como a resposta do destinatário, por exemplo. Além disso, outro ponto bastante interessante é que a leitura provoca uma sensação curiosa, como se você estivesse visitando um pedacinho da vida daquelas pessoas, entrando em contato, com seus sentimentos, felicidades e angústias. E se você parar para pensar, as cartas realmente podem ter um caráter muito íntimo.

Do total de 125 cartas, existem várias que são realmente extraordinárias. Umas são emocionantes e inspiradoras, outras tristes e que conseguem deixar qualquer leitor irritado frente às situações relatadas.

Uma das cartas que mais me surpreendeu, no início, foram as últimas palavras de Virginia Woolf antes de cometer suicídio. Até comentei sobre isso em alguma das minhas redes sociais pois nunca imaginei que ela havia falecido dessa forma. Outra carta que aparece logo no início é a do suposto Jack, o estripador, uma personalidade que jamais esperava encontrar no livro.

Há uma carta interessantíssima de Charles Dickens endereçada ao jornal Times, com uma crítica social em relação a prática do enforcamento em praça pública; Há cartas de homens que foram escravos para seus antigos “senhores”, que são de arrepiar; Uma resposta super fofa de um desenhista que incentiva um fã a continuar seu sonho, aproveitando para lhe dar algumas dicas; Cartas onde soldados falam sobre os tristes tempos da guerra; E até um telegrama do Titanic no dia do naufrágio.

Carta 054: Uma Descoberta Importantíssima. 19 de março de 1953.

A carta que achei mais interessante e mais gostei foi a do cientista Francis Crick. O ano é 1953 e ele escreve ao filho, de apenas 10 anos, na época, contando sobre sua descoberta: a estrutura do DNA. Essa é uma das cartas que tem suas páginas originais reproduzidas em fotos no livro. Será que ambos tinham a menor ideia da importância dos resultados daquela pesquisa?

Depois de destacar os pontos positivos de Cartas Extraordinárias, preciso trazer que, ao final da leitura, fiquei com a sensação de que o livro ficou devendo em alguns aspectos. O primeiro é que os temas das cartas se repetem em vários momentos. Às vezes, você está lendo uma carta e pensa “Nossa, parece que vi algo parecido antes” e, na verdade, já mesmo! Isso acontece principalmente nas cartas que remetem à guerra, que são bem comuns e, também, com as várias que tratam da saudade por entes queridos.

O outro ponto é que a maioria das cartas é de origem norte-americana ou inglesa, sendo que poucas vêm de outras nacionalidades. Mas, o que mais me decepcionou foi o fato de que que não há nenhuma carta brasileira. É difícil acreditar que não existiu nenhuma personalidade conterrânea importante que tenha uma carta extraordinária para fazer parte dessa coleção. Dom Pedro II, Santos Dumont, Juscelino Kubitschek, Carlos Gomes, quem sabe Machado de Assis? E, ainda muitos outros que devem ter suas correspondências em museus por aí.

Para mim, Cartas Extraordinárias poderia trazer uma diversidade maior de nações representadas em sua seleção de cartas e, assim, ser uma experiência mais enriquecedora e fazer ainda mais jus ao seu título.

Falemos a verdade, como assim, não há nenhuma carta de Sigmund Freud? Rs #chateada

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