Resenha O Dia do Curinga - Jostein Gaarder

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Título: O Dia do Curinga | Autor: Jostein Gaarder | Número de páginas: 384 | Ano: 2015 | Editora: Seguinte | Compre: Submarino
Como já tinha ouvido falar muito de “O Mundo de Sofia”, talvez a obra mais conhecida de Jostein Gaarder, me preocupava se a forma com que o autor abordava a filosofia em seus livros podia dificultar um pouco o meu entendimento da trama de O Dia do Curinga. Ainda bem, isso não aconteceu e, assim como as opiniões dos leitores que li pela web, o livro traz uma história e tanto. Eu diria ainda que ela é recheada de questões filosóficas e existenciais muito interessantes e, também, de diversos elementos simbólicos.

Conhecemos Hans-Thomas no momento em que o garoto e seu pai estão de partida numa viagem que vai fazê-los atravessar várias nações. Da Noruega com destino a Atenas, vão em busca da mulher de suas vidas – a mãe de Hans-Thomas -, que rumou para “se encontrar” e nunca mais voltou. Isso foi há oito anos e o objetivo deles é trazê-la de volta, mesmo sem saber como e se vão conseguir convencê-la.

Logo no início da viagem, os dois se deparam com um anão que dá uma pequena lupa de presente para o garoto e indica para pai e filho um “bom caminho” que incluiria o povoado de Dorf em seu trajeto. Curiosamente, lá Hans-Thomas conhece um padeiro que tem um peixinho da cor do arco-íris, nadando num aquário cuja borda tem uma parte faltando que é exatamente do formato da sua lupa recém-adquirida.

O senhor padeiro lhe convida para entrar e lhe dá alguns pães, instruindo-o a somente comer o maior deles quando estivesse sozinho. Mal sabia ele, que o pãozinho guardava um grande segredo: um pequeno livro com letras miúdas sobre a existência de uma ilha mágica! E ele nunca poderia imaginar que tudo aquilo estava relacionado à sua própria história.

“Somos superinteligentes: sabemos construir bombas atômicas e foguetes para ir à Lua. Mas nenhum de nós se pergunta de onde veio. A gente simplesmente se contenta em estar por aqui, dividindo com os outros este espaço.”
Pai de Hans-Thomas, p.29.

O que é muito bom em O Dia do Curinga é que o leitor não se depara com apenas uma história, mas sim, várias que se conectam e são “amarradas” com a personagem principal, o jovem Hans-Thomas. Por exemplo, além do presente que se mostra com a viagem de ambos para trazer a mãe de volta para casa, há a trama da ilha misteriosa e seus habitantes curiosos (que, se fôssemos parar para contar, poderia ser considerada até mais de uma história!), as viagens filosóficas do pai de Hans que, aliás, é um filósofo amante da democracia grega, e os questionamentos e conclusões a que chega o próprio garoto acerca de tudo o que acontece no livrinho e, também, à sua volta.

O jogo que o autor faz com as cartas do baralho é muito bem pensando e no final, quando ligamos todas as pontas que foram soltas no decorrer da narrativa, faz muito sentido! Elas aparecem em diversas partes do livro, nos títulos dos capítulos, nos meses e dias do ano, na mania do pai de Hans-Thomas de colecionar cartas de Curingas por onde passa, no jogo de tarô, ... como personagens que têm, cada um, a sua própria personalidade.

Para quem gosta de refletir um pouco com suas leituras, O Dia do Curinga é uma ótima pedida! E para finalizar a resenha de hoje, segue mais um trecho com uma reflexão sobre a forma como vivemos:

      “Vivemos nossas vidas num incrível mundo de aventuras, pensei. Apesar disso, a grande maioria das pessoas considera tudo isso ‘normal’. Em compensação, vivem em busca de algo fora do normal: anjos ou então marcianos. E isso se explica pelo simples fato de que elas não consideram um enigma o mundo em que vivem. Para mim a coisa era completamente diferente. Para mim, o mundo era um sonho muito estranho, e eu vivia em busca de uma explicação racional qualquer para esse sonho.
      E enquanto fiquei parado ali, observando o céu ir mudando de cor, primeiro cada vez mais vermelho e depois cada vez mais claro, experimentei uma coisa que jamais havia experimentado antes; um sentimento que desde então nunca mais me deixou: lá estava eu na frente da janela da cabine de um navio, eu, um ser enigmático, vivo, mas que apesar disso nada sabia de si. Experimentei a sensação de ser uma criatura viva num planeta vivo dentro de uma Via Láctea.”
Hans-Thomas, p.164.

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