10 de fevereiro de 2016

Resenha Mar da Tranquilidade - Katja Millay

Título: Mar da Tranquilidade | Autor: Katja Millay | Número de páginas: 370 | Ano: 2014 | Editora: Arqueiro | Leia um trecho
Para começar a falar de Mar da Tranquilidade, tenho que dizer que ele pode ser tudo, menos tranquilo, rs! Quando comecei a ler o livro esperava mais um drama adolescente comum, com as questões de sempre, e me deparei com um romance que surpreende por ser mais tenso e abordar temas mais fortes que a maioria dos títulos voltados ao público jovem.

Nastya poderia ser uma jovem comum, terminando o colegial e cheia de sonhos para o futuro. Poderia. Mas um acontecimento trágico há alguns anos destruiu boa parte do que ela era e todas as suas expectativas. Agora ela resolve mudar de cidade e, passando a morar com a tia Margot, espera que ninguém no lugar conheça a sua história. Ela mesma pretende manter as pessoas afastadas se escondendo atrás da maquiagem pesada e das roupas pretas.

Na escola ela conhece Josh, um garoto que parece estar envolto numa bolha. Todos costumam deixá-lo em paz, até mesmo os professores, e Drew, um garoto que sustenta a fama de pegador, é o único que ignora essa barreira. O que Nastya não sabe é que Josh já passou por vários momentos difíceis na vida apesar da idade e, assim como ela, tenta evitar o máximo possível se envolver com as pessoas a sua volta.

“Às vezes é mais fácil fingir que não há nada de errado do que encarar o fato de que está tudo errado, mas não podemos fazer nada.” p.145.

Ler Mar da Tranquilidade é como completar um quebra-cabeças. A autora não conta logo de cara o que aconteceu com Nastya e Josh, mas revela aos poucos, por meio de pistas sutis e reflexões presentes na narrativa dos personagens - dividida entre os pontos de vista de Nastya e Josh -, o que os levou até ali. Essa característica é um ponto chave na obra pois cria um mistério e desperta a curiosidade do leitor para ler até o fim.

Juntando as peças que vão aparecendo no decorrer da história é que conseguimos realmente compreender os motivos que estão por trás das ações, muitas vezes estranhas, dos personagens porque a trama vai fazendo sentido. E o melhor, é que acompanhamos figuras criadas por Katja Millay que são coerentes, verdadeiras, que possuem um passado e que não sofrem mudanças mirabolantes ao final do livro. Nastya é um bom exemplo disso.

Nastya não fala com ninguém, e eu, curiosamente, demorei um pouco para perceber isso! Comecei a me perguntar se ela não conseguia ou, simplesmente, não queria falar e, durante a leitura, fui criando várias teorias sobre o que havia acontecido com ela. Apesar de não entende-la tão bem até uma parte crucial da história, gostei que a autora não a transformou numa garota do famoso “e viveu feliz para sempre”, e mostrou que ainda havia um longo caminho a percorrer.

Como boa parte da leitura é a descoberta, quero revelar o mínimo na resenha de hoje, rs, mas posso dizer que Mar da Tranquilidade fala de sofrimento, de expectativas, de sonhos para o futuro, do que nos torna nós mesmos, sobre seguir em frente e, também, da importância dos vínculos nos relacionamentos. Um título forte, bem pensado, e que proporciona uma ótima leitura!

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