Resenha Três Coisas Sobre Você - Julie Buxbaum

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Título: Três Coisas Sobre Você | Autor: Julie Buxbaum | Editora: Arqueiro | Número de páginas: 288 | Ano: 2016 | Leia um trecho
Hey pessoal, como vão? Hoje venho trazer minhas impressões sobre um dos lançamentos da Editora Arqueiro mais falados dos últimos tempos e o primeiro título voltado ao universo jovem adulto da autora Julie Buxbaum: Três Coisas Sobre Você! A editora chegou até a fazer uma aposta com os leitores, de devolver o dinheiro caso o leitor não ame o livro! Fui correndo ler com mil expectativas, né?!

Jessie Holmes perdeu a mãe há setecentos e trinta e três dias (sim, ela está contando). Agora, as coisas continuam complicadas, principalmente porque seu pai resolveu se casar de novo e ambos se mudaram para a casa chique, estilo capa de revista, de Rachel na Califórnia. É a nova mulher de seu pai que irá custear o ensino médio de Jessie em Wood Valley, escola onde só estudam os mais afortunados de Los Angeles, e que não poderiam ser mais diferentes dela. Enquanto Jessie passou os últimos dois anos trabalhando no Rei das Vitaminas para conseguir juntar algum dinheiro, em Chicago, alguns deles viajaram para fora do país, outros ajudaram a construir escolas em lugares carentes, ou estagiaram no Google.

Jessie sabe que será difícil se adaptar e fazer amigos nesse novo lugar que não tem nada a ver com ela, nem com a vida que tinha antes, e parece que outra pessoa também pensou o mesmo já que, durante a sua primeira semana na escola nova, Jessie recebe uma mensagem curiosa e anônima de alguém se oferecendo para ajudá-la como um guia espiritual para sobreviver em Wood Valley. A garota pode perguntar sobre o que quiser, a única condição é não questioná-lo sobre sua identidade.

Os e-mails se transformam em mensagens cada vez mais frequentes entre Jessie e AN, que acaba sendo seu porto seguro em meio ao bullying das duas Barbies do colégio, que cada dia escolhem um aspecto da roupa de Jessie para tirar sarro, a saudade de Scarlet, sua melhor amiga que ficou em Chicago, e a sensação de ser uma estranha, morando num quarto de hospedes todo decorado com quadros estranhos na casa da madrasta.


“ei, Srta. Holmes. nós nunca nos encontramos e não sei se um dia vamos nos encontrar. quero dizer, provavelmente vamos, em algum momento – talvez eu pergunte a você que horas são ou outra coisa igualmente banal e abaixo do nosso nível intelectual –, mas nunca vamos nos conhecer de verdade, pelo menos não de forma significativa... e por isso pensei em mandar este e-mail sob o manto do anonimato.

sim, eu sei que sou um cara de 16 anos que acabou de usar a expressão “manto do anonimato”, e sobre isso digo uma coisa: esse é o motivo nº 1 para que você jamais saiba o meu nome de verdade. eu não sobreviveria à vergonha dessa pose pretensiosa.

“manto do anonimato”? fala sério! e sim, também sei que a maioria das pessoas simplesmente teria mandado uma mensagem pelo celular, mas não consegui pensar em nenhum jeito de fazer isso sem revelar quem eu sou.

tenho observado você no colégio. não de modo doentio, mas agora me pergunto: será que o simples fato de eu ter usado a palavra “doentio”, por definição, me torna doentio? de qualquer forma, acontece que... você me intriga. já deve ter notado que a nossa escola é um mundo vasto de Barbies e Kens, quase todos louros e de olhos vazios, e alguma coisa em você – não só o fator novidade, já que, claro, o resto de nós frequenta a mesma escola desde os 5 anos, mas algo no seu jeito de andar, falar e na verdade não falar, apenas observar a todos nós como se fizéssemos parte de um documentário bizarro do National Geographic – me faz pensar que você pode ser diferente de todos os idiotas da escola.

eu fico com vontade de saber o que se passa nessa sua cabeça. vou ser sincero: não costumo me interessar pelo que há na cabeça dos outros. a minha já dá trabalho suficiente.

o objetivo deste e-mail é oferecer meus conhecimentos. desculpe ser o portador de más notícias: não é fácil se orientar nos territórios ermos do colégio Wood Valley. o lugar pode parecer caloroso e receptivo, com a ioga, a meditação, os cantinhos de leitura e o carrinho de café (desculpe: o Karrinho de Kafé), mas, como todos os outros colégios do ensino médio (ou de um jeito até pior), é uma droga de uma zona de guerra.

por isso me ofereço como o seu guia espiritual virtual. sinta-se livre para fazer qualquer pergunta (a não ser, claro, sobre a minha identidade), e vou me esforçar ao máximo para responder a você: com quem fazer amizade (lista curta), de quem manter distância (lista maior), por que você não deve comer o hambúrguer vegetariano do refeitório (longa história, você nem vai querer saber, envolvendo esperma de atleta), como tirar 10 na prova da Sra. Stewart e por que você nunca deve se sentar perto do Ken Abernathy (problema de flatulência). ah, e tenha cuidado na aula de educação física. o Sr. Shackleman faz todas as garotas bonitas darem voltas extras pela quadra para poder olhar a bunda delas.

parece informação suficiente por enquanto.
e, só para constar, bem-vinda à selva.

atenciosamente, Alguém Ninguém"

Três coisas sobre o livro:
1) De primeira, não dá para largar o livro até ter lido umas boas cinquenta páginas, pelo menos;
2) É impossível não se sentir um pouco detetive, tentando descobrir qual a verdadeira identidade de AN;
3) Aposto que você ficará querendo mais, assim, como eu.

A escrita de Julie Buxbaum é muito envolvente, assim, é muito fácil passar das 50 primeiras páginas de Três Coisas Sobre Você sem nem notar! Além disso, há a sensação de estar dentro da cabeça de Jessie, já que ela é bastante perceptiva e honesta com suas impressões sobre o que ocorre a sua volta e, também, com aquilo que sente. Me surpreendi bastante com a franqueza com que ela expressa, na narrativa, tanto sua empolgação, quando algo de bom acontece, como sua raiva e dificuldade em aceitar o fato de que não poderá criar novas memórias com a mãe e o fato do pai não ter levado seu desejo em consideração antes de tomar a grande decisão de se mudar para a Califórnia.

De fato, Jessie é muito humana nesse sentido, num dia está mais otimista, em outro não sabe o que fazer para se encontrar, ela acerta e erra, assim como as outras personagens.

Um ponto muito bom de Três Coisas Sobre Você é que, assim como em Os Bons Segredos, de Sarah Dessen (outro YA que vale a pena conhecer), os acontecimentos não giram apenas em volta da protagonista, as personagens secundárias têm vida própria, e a autora pode usá-las para trabalhar outros temas, sem fazer, de modo forçado, com que TUDO aconteça com Jessie, o que torna a história muito mais crível e interessante.

E há todo o mistério em torno da verdadeira identidade de Alguém Ninguém que deixa o leitor tentando descobrir, a cada novo personagem que aparece, quem é que está por trás dessa comunicação fora do comum. Gostei bastante da escolha da autora, AN não poderia ser outra pessoa! rs

Realmente, Três Coisas Sobre Você em o diferencial de Jessie passar a receber mensagens de um estranho da escola que a conhece, quer ajudá-la, entretanto, prefere não se identificar. Na literatura isso pode ser muito interessante e muitos de nós poderíamos considerar até romântico, mas será que seria assim na vida real? Provavelmente, numa situação parecida, confesso que ficaria com medo! rs

Jessie, por outro lado, como se sente muito sozinha em Los Angeles, se conecta com Alguém/Ninguém, de forma que ter um amigo, mesmo praticamente desconhecido, a ajuda a passar pelos dias de uma forma mais fácil, enquanto vai se enturmando em Wood Valley.

Três Coisas Sobre Você fala sobre família, perdas, solidão, mudanças e amadurecimento e, como um bom romance jovem adulto, trata, também, sobre questões comuns do universo dessa faixa etária como amor, amizade, sexualidade, aparência, autoestima, autoconhecimento e todas as grandes dúvidas que permeiam a cabeça dos jovens.

A única questão que ficou, para mim, foi que o livro acabou na melhor parte! Não é que eu não tenha gostado do final, mas, depois de tanto mistério, acho que os leitores mereciam mais um capítulo, pelo menos, para entender um pouco melhor alguns aspectos de AN e o desenrolar de certo acontecimento... Aliás, como o livro não tem continuação, ficaria feliz com mais umas 50, 100 páginas! rs Como você nos deixa assim, Julie Buxbaum?!

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