24 de maio de 2017

Resenha O Ceifador (Scythe #1) - Neal Shusterman

Título: O Ceifador (Scythe #1) | Autor: Neal Shusterman | Editora: Seguinte | Número de Páginas: 446 | Ano: 2017 |
No universo em que se passa O Ceifador, os seres humanos conseguiram controlar e superar a fome, as doenças, as guerras e até mesmo a morte deixou de ser motivo de preocupação. Os acidentes ainda acontecem, mas é só passar pela revivificação para se ver novinho em folha. Além disso, ao chegar a uma idade avançada, qualquer um pode passar por um processo de rejuvenescimento e ter um corpo jovem novamente.

Com um número cada vez maior de pessoas vivas, entretanto, foi necessário criar uma figura misteriosa que detém o papel mais nobre e importante de toda a sociedade, a do ceifador. A missão de todos os ceifadores que pertencem a Ceifa é coletar, ou seja, tirar a vida de algumas pessoas - já que não existe outro modo de morrer – para controlar o crescimento populacional e, assim, manter o equilíbrio do planeta.

É nesse mundo quase perfeito onde vivem Citra Terranova e Rowan Damisch. Jovens que, aparentemente sem nada em comum, passam a conviver depois de serem convocados pelo ceifador Faraday como seus aprendizes. Nos próximos meses eles devem passar por um treinamento intenso para conhecer sobre a história da Ceifa, suas regras, e a arte de matar, com direito a aprender como utilizar os mais diversificados instrumentos para coletar - armas, estilos de luta e até veneno.

Enquanto isso, uma corrupção se desenrola dentro da própria comunidade de ceifadores, em que ditos “visionários” buscam mudar a forma que as coletas são feitas e os benefícios que os ceifadores deveriam poder desfrutar. O inesperado acontece, e as coisas ficam ainda mais complicadas para Citra e Rowan quando é estipulado que aquele que se tornar ceifador deverá, como seu primeiro ato, coletar o outro.


O Ceifador é o primeiro volume da trilogia Scythe escrita pelo autor norte americano Neal Shusterman, lançada por aqui pela Seguinte! O título foi escolhido como livro de honra pelo principal prêmio de literatura jovem adulta dos Estados Unidos e, eu logo percebi pela leitura que não era para menos. Rs

Apesar da trama de O Ceifador não apresentar um futuro distópico, onde algum vírus, guerra ou acidente nuclear acabou com o mundo como conhecemos hoje, há um elemento, eu diria, de ficção científica muito interessante chamado de Nimbo-Cúmulo, uma espécie de “nuvem” eletrônica que, alimentada com o conhecimento da humanidade acabou se tornando a melhor opção para gerenciar o planeta. A Nimbo-Cúmulo funciona como um governo, só que melhorado, já que por ser um programa não comete erros. Ela só não tem poder sobre a Ceifa, que é a organização dos ceifadores e que possui suas próprias regras.

A história desse primeiro volume segue num ritmo mais lento até a metade do livro. Até lá, vamos sendo apresentados, pouco a pouco, a como tudo funciona, às mudanças pelas quais a sociedade passou, o que é a Nimbo-Cúmulo, e como a Ceifa se comporta. Também conhecemos melhor os personagens, enquanto Faraday treina Citra e Rowan para que apenas um deles receba o anel e se torne um ceifador após o último Conclave do ano.

É então do meio do livro em diante que coisas inesperadas começam a acontecer e tornam difícil largar o livro até o final. Ação, perseguições e reviravoltas deixam tudo mais dinâmico e ainda mais interessante.

Eu diria que O Ceifador não é focado tanto nos acontecimentos, mas sim nos personagens e em suas motivações e seus dilemas morais. O que é um ponto super positivo já que um bom livro não é feito só de reviravoltas, não é mesmo? É legal ver que até mesmo dentro da Ceifa, existem ceifadores que executam sua função de uma maneira respeitosa enquanto outros demonstram prazer em matar e, essa questão permeia toda a história e influencia na trajetória de Citra e Rowan.

A trama nos faz questionar em vários momentos o que realmente nos torna humanos. Seria nossa mortalidade ou a capacidade de ter empatia com os outros responsáveis por nossa humanidade? E o que é ser humano numa realidade em que a morte praticamente não existe?

Seria mesmo um futuro perfeito em que a fome, a doença e a morte não existissem, ou na ausência desses aspectos as pessoas seriam incapazes de entender o quanto isso é significativo para a “Era da Mortalidade”, como o nosso tempo é conhecido no livro? O autor também acaba fazendo uma crítica sobre a relação com a fama e o poder, e como isso pode ou não mudar os ideias das pessoas.

Já saiu a notícia que o primeiro livro será adaptado para os cinemas pela Universal, então, se preparem para ouvir cada vez mais sobre a série nos próximos anos!

O próximo volume da série se chamará Thunderhead (Cabeça de trovão?) e tem previsão de lançamento nos Estados Unidos para novembro deste ano. Vamos torcer para a continuação dO Ceifador não demorar a chegar por aqui também.

Compartilhe

  • Delicious

0 comentários:

Olá leitor! Quero muito saber o que você do post!

-> Deixe nos comentários suas impressões, opiniões e expectativas. Só não vale contar algum spoiler sobre o livro, rs. Se quiser falar comigo e não quiser usar os comentários, você pode escrever para mim por meio do formulário de contato, clicando aqui.

Obrigada pela visita! :D


Blogger Template by Clairvo