21 de junho de 2017

Resenha O primeiro dia do resto da nossa vida - Kate Eberlen

Título: O primeiro dia do resto da nossa vida | Autor: Kate Eberlen | Editora: Arqueiro | Número de Páginas: 432 | Ano: 2016 | Leia um trecho
O primeiro dia do resto da nossa vida narra a história de Tess e Gus. Os dois são jovens cheios de sonhos quando se cruzam pela primeira vez na Itália, no ano de 1997. Mas como a vida é imprevisível, eles não aproveitam a oportunidade para se conhecerem e o momento passa.

Chega a hora de dizer adeus às construções mágicas e a atmosfera encantadora italianas quando a viagem acaba. De volta para casa, Tess não imaginava que iria encontrar a mãe com pouco tempo de vida devido a um grave câncer de mama e Gus precisa encarar o primeiro Natal em família sem o irmão mais velho, que morreu recentemente em um acidente de esqui.

Enquanto Tess desiste do sonho da faculdade para cuidar da irmã mais nova após a morte da mãe, Gus decide cursar medicina para agradar a família mesmo sabendo que este não é o que sonhou para si. Na vida dos dois nada parece sair como o planejado.


O primeiro dia do resto da nossa vida era um título que tinha muito para ser uma ótima leitura - romance, passagem do tempo, acaso x destino, uma capa linda, rs -, mas, infelizmente não atingiu as expectativas.

Já vou dizendo porque não indico a leitura pra quem está procurando por um romance mais leve: Primeiro porque o livro começa num tom melancólico e continua assim até o final, diferente da sinopse que passa a ideia de uma trama fofa e divertida. Passando longe da comédia romântica, O primeiro dia do resto da nossa vida tem drama, drama, e mais drama.

A premissa de que Tess e Gus são perfeitos um para o outro e estão destinados a se encontrar era muito interessante - lembrando o mito das almas gêmeas -, mas a ideia não é muito bem trabalhada e não temos, de verdade, algo que justifique isso dentro da trama. Tess é um pouco melhor desenvolvida como personagem, mas Gus se transforma num verdadeiro babaca até o meio do livro. No início da leitura eu torcia para eles se reencontrarem, mas, lá para a metade do livro comecei a pensar totalmente o contrário! rs

O desenvolvimento do enredo também poderia ser melhor, porque o desenrolar da história é entediante, a autora é um tanto repetitiva em alguns pontos e nenhum acontecimento em 16 anos é realmente interessante. Nada parece ser positivo para os protagonistas, o que aumenta aquela sensação que comentei do livro ser melancólico e frustrante. É como se o drama ficasse banalizado e o leitor não conseguisse se importar tanto com os protagonistas - apesar dos temas delicados como câncer, luto e culpa -, querendo mesmo chegar ao final só para ter a resposta se eles se encontram ou não. Poderia ter sido diferente se o drama tivesse sido melhor dosado com os bons momentos - como em Desde o Primeiro Instante (Mhairi McFarlane).

Uma justificativa pode ser a narrativa em primeira pessoa, que é intercalada entre as duas personagens e representa a visão deles sobre os fatos. Além disso, talvez essa impressão de que Tess e Gus são eternos insatisfeitos ocorra porque acompanhamos apenas algumas partes do que acontece durante todos os 16 anos em que se desenrola a trama. E essa questão presente na narrativa dos dois pode até representar algo real, já que muitas pessoas se veem presas em certas situações das quais não conseguem sair, mas, não é bem o que você espera e deseja encontrar num livro como esse.

A experiência de ler O primeiro dia do resto da nossa vida foi como assistir a “Um dia” (também baseado num livro), em que você espera encontrar uma história romântica e reconfortante mas acaba se deparando exatamente com o oposto. Nesse caso, o desfecho da trama não chega a ser tão bom a ponto de compensar totalmente o tempo investido na leitura.

"Às vezes, as melhores coisas estão bem debaixo do seu nariz. Entende o que quero dizer?" p.203

 Kate Eberlen cresceu em uma cidadezinha a 50 quilômetros de Londres e passou a infância lendo livros e sonhando em escapar de lá. Estudou literatura clássica em Oxford e trabalhou em diversos setores do mundo editorial e artístico. Recentemente, Kate se especializou em ensinar inglês para estrangeiros com o objetivo de passar mais tempo na Itália, país pelo qual é apaixonada e que já visitou várias vezes. É casada e tem um filho.

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