Antes do Baile Verde - Lygia Fagundes Telles

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Título: Antes do Baile Verde | Autor: Lygia Fagundes Telles | Editora: Companhia das Letras | Número de Páginas: 208 | Ano: 2009 |
Já fazia um tempo que me deparava com a coleção de livros da Lygia Fagundes Telles ao passear pelo vasto e interessante catálogo da Companhia das Letras. Recentemente resolvi solicitar um livro dela e conhecer de uma vez a obra da autora. Depois de ficar em dúvida entre vários títulos, descobri que Lygia é considerada uma das melhores contistas do Brasil e vários leitores indicam, para começar, a leitura de um dos seus livros de contos mais conhecidos, Antes do Baile Verde. Ganhador de vários prêmios como Guimarães Rosa, Coelho Neto e o Grande Premio Internacional Feminino para Contos Estrangeiros, Antes do Baile Verde é uma coletânea de contos, que compreende uma seleção de dezoito textos escolhidos a dedo pela própria Lygia.

Uma das características mais marcantes dos contos de Antes do Baile Verde  é que a maioria deles possui final aberto e, muitas vezes, são também inconclusivos. Como não tenho o costume de ler contos e estou mais familiarizada com romances, em que há mais espaço para que o autor desenvolva a trama, tive uma dificuldade inicial com a leitura e várias vezes, ao chegar ao final dos contos, me questiona se realmente havia entendido a “moral da história”. Cheguei até a reler o primeiro conto algumas vezes para descobrir se tinha deixado passar alguma informação. Só depois de ler o posfácio de Antonio Dias, que traz informações sobre o universo da autora, e pesquisar análises de alguns contos na internet, foi que passei aproveitar mais o livro.

A ambiguidade aparece no conflito, muitas vezes moral, em que se encontram os personagens, que estão sempre divididos entre uma coisa e outra, seja em relação ao que sentem ou sobre qual atitude devem tomar. Com a sensação curiosa e interessante de estarmos dentro da cabeça dessas figuras, podemos perceber vários sentimentos humanos comuns e pensamentos controversos que passam pela mente desses personagens imperfeitos.

A escrita da autora é bastante envolvente e é difícil ler apenas um conto por vez (até porque eles são curtinhos e têm cerca de 10 páginas cada um). Além dos finais inconclusivos e o conflito de sentimento das personagens principais que estão sempre presentes, outra característica marcante dos contos de Antes do Baile Verde é que, a princípio, as histórias parecem ter um enredo comum mas, quase sem que o leitor perceba, o desfecho as transforma de um jeito surpreendente! É aquele tipo de coisa difícil de explicar que caio no clichê de dizer “só lendo para entender, mesmo”.

Dos dezoito contos de Antes do Baile Verde, acabei gostando mais daqueles que trazem uma atmosfera de suspense, sobrenatural ou terror, como A Caçada, em que um homem se sente misteriosamente atraído por uma velha tapeçaria sem saber porque, Meia-Noite em ponto em Xangai, onde uma cantora famosa tem opiniões peculiares sobre as pessoas e é surpreendida pelo empregado do hotel, Natal na Barca, em que a personagem questiona as próprias impressões e sua fé quando algo impossível acontece, e Venha ver o Pôr do Sol, que traz um casal de ex-namorados se encontrando num lugar bastante esquisito, um cemitério abandonado.

Outros dois contos que me chamaram atenção foram Verde Lagarto Amarelo e Helga, que seriam cômicos se não fossem, na verdade, trágicos! Além deles, destaco Antes do Baile Verde, que dá título ao livro e traz uma jovem em dúvida entre curtir o carnaval ou permanecer em casa com o pai moribundo, A Janela, que nos faz questionar o que é a loucura, e O menino, que está claramente passando pelo complexo de Édipo e prestes a ter uma grande decepção, rs.

Deve ser muito interessante fazer uma leitura em conjunto do livro e compartilhar as impressões da cada conto com outras pessoas, pois a interpretação de cada um pode ser muito subjetiva.

No geral gostei de Antes do Baile Verde e consegui encontrar as características marcantes de ambiguidade e sutiliza que tornaram a escritora tão reconhecida por seus contos. Infelizmente, não cheguei a amar a leitura como tantos outros leitores por aí, rs. No final, ler as interpretações dos contos e perceber cada detalhe que havia passado despercebido, para mim, acabou sendo mais legal do que a primeira leitura da obra em si.

Mesmo assim, minha curiosidade ainda continua e pretendo ler outras obras da Lygia, e quem sabe embarcar em um de seus romances em breve – li ótimas críticas de "As Meninas” e “Ciranda de Pedra”.

Mas, afinal, alguém pode me responder porque Miguel levou a adaga? rs

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